26 de mar de 2010

Avaliação como Compromisso com a Aprendizagem de Todos – por uma nova intencionalidade

(Para compor a nota do módulo: AVALIAÇÃO EDUCACIONAL E INSTITUCIONAL)


É desafio da avaliação assumir um caráter transformador comprometida com a aprendizagem dos alunos e com a totalidade de seu desenvolvimento.
Mais que aplicar técnicas, a questão principal evidencia mudança de postura e de posicionamento com relação ao tema.
Uma nova intencionalidade reporta ao fim que se propõe a atingir, ao compromisso do sujeito com a ação, re-significar a avaliação e assumir uma mudança de postura frente aos seus resultados. A intencionalidade é determinante, é o problema nuclear da avaliação. Portanto, é um dos aspectos mais difíceis de serem trabalhados.
Ter na avaliação um compromisso com a aprendizagem de todos revela o grau de comprometimento do educador quanto à efetiva finalidade da avaliação.
Há no educador comprometido desta forma uma negação às práticas rotineiras do não atendimento aos alunos e uma busca constante para a solução do “não aprender”. Não há como ficar passível assistindo conformado o fracasso escolar tomando conta de um processo que é seu – o processo ensino-aprendizagem – e que deve motivá-lo a buscar o sucesso de seus alunos. O sucesso deles se reveste ao responsável por ele – o professor.
São tantas as tentativas de mudança da avaliação. Mudam-se leis, regimentos, notas e conceitos, mas de que adianta tudo isso se não houver uma mudança da prática. O que resolve que tantas mudanças aconteçam no papel, teoricamente se grande parte dos profissionais continuam arraigados em práticas obsoletas e descontextualizados com o desafio que a atualidade impõe?
É preciso buscar mudanças significativas na prática que envolva uma constante auto-avaliação do próprio trabalho pelo professor, avaliação dos conteúdos trabalhados e de como estão sendo trabalhados (se de forma contextualizada, desafiadora e que motive o interesse dos alunos) e de como os alunos se comportam nesta relação com o conhecimento. É preciso intervir na realidade a fim de transformá-la.
Um dos maiores obstáculos para que a mudança da intencionalidade aconteça é a “tradição avaliativa” já existente: a cultura da repetência, a tendência classificatória, a estranha indiferença aos efeitos do fracasso escolar (elevados índices de reprovação e evasão escolar).
Um outro entrave passa pelo sentimento de impotência, descrença e até revolta do professor diante das Políticas Educacionais que delineam e se sobrepõem à atitude avaliativa do professor. Há professores que clamam por autonomia, mas até este desejo de se ter uma liberdade maior de se avaliar é dicotômico: enquanto há professores preocupados com uma avaliação consubstanciada em mudança de postura e de re-significação da prática educativa, há aqueles que se utilizam deste ato como forma de oprimir o aluno, puni-lo por sua pouca participação nas aulas e até pelo desinteresse que pode ser fruto de um contexto em que o professor não se preocupa em inovar, estudar, aperfeiçoar-se. Esta incapacidade fere o professor que insatisfeito utiliza-se da avaliação para ferir o aluno.
A avaliação como compromisso com a aprendizagem de todos permite que o aluno com dificuldade continue à margem do processo? Evidente que não. Qual a intencionalidade do educador diante deste quadro? Criar alternativas para resgatar o saber. É o momento de dar uma pausa, propor um trabalho em grupo, uma monitoria entre os alunos, meios para fortalecer o trabalho. O aluno precisa perceber que não está sozinho e que há alguém comprometido em ajudá-lo a superar os obstáculos ou, ao menos, amenizá-los.
Não estou dizendo aqui que é possível fazer mágica com a avaliação, não estou querendo afirmar utopicamente que é fácil mudar paradigmas e buscar novas alternativas, não estou negando o quão difícil é romper com a tradição histórica da avaliação classificatória. Mas acredito que não é impossível gerar mudanças significativas. Há que se aprimorar o olhar, há que se reforçar o desejo de superação, há que se ler muito, discutir dificuldades comuns em grupos de profissionais da educação, repensar a relação número de alunos x qualidade de ensino, tentar acertar e ter coragem de inovar positivamente.
Historicamente, a função docente foi associada à fiscalização, ao disciplinamento, à medida, à verificação, ao ato de transmitir conteúdos e medir através de notas o quanto se pode assimilar gerando como resultados indivíduos aptos e inaptos ao prosseguimento de seus estudos.
Mas o contexto histórico mudou e com ele a necessidade de se repensar o ato avaliativo. Vivemos em um mundo globalizado onde o fluxo de informações assumem possibilidades infinitas. Em casa, acessando a internet o aluno se depara com um movimento de informações bem diferentes do que o contexto de sala de aula ainda revela.
A avaliação classificatória reinou magnânima por anos num contexto de ditadura e governo militar. A atual legislação – a LDB, surge num contexto histórico diferente propondo que aspectos qualitativos se sobreponham aos quantitativos. Convida o professor a um olhar mais refinado de seu alunos tendo consciência de suas limitações e avanços, respeitando o seu ritmo de aprendizagem que não se revela igual para todos.
Avaliar dentro de um contexto de aprendizagem para todos é abandonar a cultura da exclusão. Hoje o professor luta por seus direitos mas, muitas vezes, esquece-se dos direitos dos alunos. Defende ardentemente a suspensão das aulas por reuniões de capacitação mas se nega com o mesmo ardor a dedicar um tempo a mais de seu horário de trabalho para dar uma atenção diferenciada a um aluno que esteja precisando de um atendimento individualizado.
Por tudo isso, é preciso uma reforma na intencionalidade.

Todo ser humano é capaz de aprender!
Se não estiver conseguindo tem que ser ajudado,
não ser rotulado de incapaz ou excluído.”

Por Jacqueline Campos

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